sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Obstetras, em benefício próprio, estariam doutrinando gestantes para optarem por cesareanas.

O Observatório da Infância já divulgou em artigo de 11/07/08 (Brasil, recordista em cesareanas) que o Brasil é recordista mundial de cesareanas. Os usuários do site puderam inclusive dar sua opinião em pesquisa anexa ao artigo. Agora, o jornal O Estado de São Paulo tratou o assunto em duas páginas da sua edição de domingo (17/08/08), com a manchete "Cesareana agendada aposentou o trabalho de parto". O parto cirúrgico que reconhecidamente aumenta o risco de complicações para o recém-nascido, tem no Brasil uma taxa de 43%, quando o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de até 15%.

Impressiona a pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública que aponta que 70% das mulheres desejam parto normal no início da gestação, "mas vêm sendo convencidas pelos obstetras da maior segurança da cesariana e sendo minadas na confiança de que seu corpo seria capaz de enfrentar um parto normal".

A recente conclusão da pesquisa deixa antever uma séria acusação aos obstetras: o doutrinamento das gestantes para optarem por cesarianas.

Na reportagem do Estado de São Paulo, um obstetra, Dr. Geraldo Caldeira, que teria grande atuação em São Paulo, declara que dois fatores são determinantes para explicar essa realidade: a má remuneração dos partos pelos planos de saúde e a forma como as mulheres são educadas. "Hoje, se paga cerca de R$ 800, num parto por convênio. Não é vantajoso desmarcar a agenda para acompanhar um parto normal. Se quiserem vão ter de oferecer no mínimo R$ 2 mil", diz o obstetra.

O que a matéria e a declaração do Dr. Geraldo Caldeira querem dizer é que a indicação para uma cirurgia que traz maiores riscos para o bebê é fruto não de uma indicação médica consciente e técnica, mas sim de um doutrinamento das gestantes pelos obstetras em benefício próprio.

Uma matéria como essa, que retrata uma realidade que em parte já é conhecida por nós médicos, é uma reportagem-denúncia que merece uma investigação e procedimentos pelos conselhos de medicina.

Não dá para ficar calado.

2 comentários:

Miriam Utida Sousa disse...

Eu tive o acompanhamento de um excelente obstetra durante toda gestação e parto da minha primeira filha. Ele nunca me sugeriu uma cesareana. Ela nasceu de parto normal adiantada em 20 dias do previsto. O parto foi uma maravilha, bem mais fácil do que pensei. Ela nasceu com saúde e eu me recuperei rapidamente, sem nenhuma complicação.

Débora disse...

Estou na 34 semana de gestação e venho fazendo acompanhamento pré natal com uma das melhores obstetras da minha cidade, só que ontem foi minha ultima consulta com ela, pois quando conversavamos sobre o meu parto relatei que tenho interesse e me sinto totalmente apta para ter parto normal, mas ela não gostou muito e demonstrou descaso, fiquei realmente muito chateada. Agora estou a procura de outro profissional que não seja contra o parto normal. Nunca pensei que fosse passar por isso ja no final de minha gestação, estou decepcionada!