sexta-feira, 4 de abril de 2008

O que você sonha para seu filho?

Os tradicionais colégios São Bento e Santo Agostinho, no Rio, obtiveram os melhores lugares no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em todo país. Em 3º lugar no país ficou uma outra escola privada do Rio, o Mopi. A única escola da rede pública no Brasil entre os 5 primeiros colocados é o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (MG).

As mensalidades, no nível médio, nas escolas públicas privadas com melhores desempenhos no país variam entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00 / mês.

Inúmeros fatores devem ser analisados em relação a esses resultados. Um dos mais importantes é se perguntar se as melhores escolas preparam seus alunos, bem selecionados "nos vestibulinhos" aos quatro ou cinco anos de idade, para serem felizes na vida ou para vencerem vestibulares.

Aconselho a leitura do artigo de Antônio Gois, jornalista especializado em educação, na Folha de São Paulo, de 4 de abril de 2008, com o título "Sozinho, Enem leva a conclusão equivocada". Ver também o artigo no nosso blog: Crianças de 6 anos devem apenas brincar ou já serem exigidas na escola?

Não dá para ficar calado.

Qual o grau de importância que você daria às provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)?
Muita importância.
Pouca importância.
Nenhuma importância.




Os pediatras e a dengue.

A respeito das "importações" de pediatras para o Estado do Rio de outros estados e até de Cuba(!) para combater a epidemia de dengue, a Assessoria de Comunicação da Sociedade Brasileira de Pediatria se manifestou oficialmente através do documento que reproduzimos a seguir.

Não dá para ficar calado.


Médicos em falta

A TENTATIVA do governo fluminense de importar pediatras de outros Estados para atender às crianças contaminadas pelo vírus da dengue dá bem a medida da desorganização da medicina pública no país. Faltam pediatras não porque o Rio de Janeiro não os produza, mas porque não consegue motivá-los a trabalhar na rede oficial. Concursos são realizados, mas as vagas não são preenchidas. Essa tem sido uma constante no país.

A principal causa para o fenômeno são os baixos salários oferecidos por Estados e municípios, que, de forma paradoxal, não implicam necessariamente economia de recursos públicos.
Em alguns Estados, para escapar aos baixos salários, médicos se organizaram em cooperativas que prestam serviços à rede oficial. Como em muitas dessas regiões quase todos os especialistas se ligaram às cooperativas, elas adquiriram enorme poder de negociação. Os salários dos médicos melhoraram, mas não a qualidade do serviço.

Ao menos 20% dos 350 mil médicos brasileiros já estão cooperativados. Em Estados como Paraíba, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Espírito Santo, o poder público já não consegue prestar atendimento médico sem servir-se dessas entidades.

Em locais como São Paulo, onde as cooperativas não avançaram tanto, há problemas semelhantes. Como os médicos ganham mal, precisam acumular três ou quatro empregos para assegurar padrão de vida de classe média. Ocorre que, freqüentemente, o patrão é o mesmo: o poder público. Se o profissional recebesse mais, poderia dedicar-se a uma única unidade de saúde, tornando-se mais presente e propiciando ganhos de qualidade para o sistema.

Para reestruturar o setor é preciso, antes de mais nada, definir uma política salarial coerente para os profissionais de saúde. A proposta do governo federal de criar fundações estatais de direito privado para administrar os serviços é um bom começo. Daria liberdade aos gestores, permitindo-lhes pagar mais aos médicos e cobrar-lhes mais, além de demitir aqueles cujo desempenho é inadequado.

Assessoria de Comunicação da SBP

Crianças, vítimas indefesas.

Em apenas um dia, as páginas do jornais e noticiários da TV deram destaque a um fato incontestável: a fragilidade da criança, ser humano em desenvolvimento e totalmente dependente da proteção dos seus responsáveis: pais, família, estado. Em São Paulo, uma menina de cinco anos, Isabella, foi jogada do prédio onde morava através de uma rede de proteção que foi cortada. Foi assassinada, por quem?

Ainda em São Paulo, um menino de dez anos, Matheus, caiu de um brinquedo em um parque de diversão e morreu. Quem foi o responsável? A criança não!

Em Ibirá, São Paulo, adolescente de quinze anos morreu quando a fibra do toboágua em que ele e colegas brincavam de escorrega, quebrou. Gustavo morreu no local e seus colegas estão internados com fraturas. Quem é o responsável?

Não dá para ficar calado.


Você acredita que está aumentando o egoísmo dos pais, o que estaria levando ao aumento da negligência e da violência contra as crianças?
Sim

Não




Pedófilos devem ser monitorados.

Na maioria dos estados americanos e em alguns países europeus, certos criminosos, como os abusadores sexuais de crianças, após cumprirem suas penas, são libertados sobre estrita vigilância. Uma das formas de manterem essa vigilância é o uso de chips de computador em pulseiras e tornozeleiras. Com isso, a polícia monitora o abusador sexual e sabe onde ele está, para prevenir futuras e sempre prováveis ações criminosas reincidentes contra crianças.

No Brasil, o estado da Paraíba saiu à frente no uso desses pequenos mecanismos de controle. Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, já tramita projeto de lei no sentido de ampliar o seu uso. O Governo Distrital de Brasília e o Governo de Minas Gerais já estão estudando propostas de empresas que querem fornecer o equipamento.

Como poderia se esperar, já há opiniões contrárias. A notícia foi divulgada em O Estado de São Paulo com a chamada: "Polêmica".

Não dá para ficar calado.


Você concorda com o uso de pulseiras ou tornozeleiras eletrônicas para monitorar abusadores sexuais, mesmo depois deles cumprirem suas penas?
Sim
Não




Maus exemplos

A Folha de São Paulo de 20/03 noticia que Juiz Federal de Porto Alegre condenou a pagar 500 mil por danos difusos às mulheres, a produtora responsável pelo funk Tapinha, pelo refrão "Tapinha não dói", por banalizar a violência contra a mulher. O advogado de defesa alega que: "Ele (Mc Naldinho) deu um tapinha no trazeiro da filha, uma vez e ela disse: "Pai, um tapinha não dói." Daí veio a letra para criticar a posição dos pais que não sabem dizer não aos filhos."

O autor da música disse que deu apenas um "tapinha corretivo" na filha Karolyne, quando ela tinha três anos.

A ministra Nilcéia Freire aplaudiu a decisão da Justiça. E eu também. Mas vamos além: a letra não apenas banaliza a violência contra a mulher, mas também a violência contra a criança. Então, estabelecer limites é "dar tapinhas"? Entendo que seja um ato que traduz desinformação e covardia. Eu diria para que os pais fiquem muito atentos se seus filhos lhe disserem "Pai, um tapinha não dói." Aplausos à decisão do juiz de Porto Alegre. E minha desconfiança para Caetano Veloso, que defendeu há anos atrás a letra, considerando-a linda. Então dar tapinha é lindo, Caetano?

Não dá para ficar calado.

"Não achamos que corrupção é um processo normal."

Foto: Lula Marques / Folha Imagem

Finalmente uma reação concreta contra a permanência do reitor Timothy Mulholland na Universidade de Brasília (UnB). Alunos ocuparam o prédio da reitoria e ameaçam só sair quando o reitor pedir demissão. Se houve uma participação direta do reitor em conluio com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) no conhecido espisódio de desvio de verba para decoração suntuosa de seu apartamento funcional, a população não sabe. Mas os alunos que ocuparam a UnB seguramente sabem. Como afirmou um deles ao jornal O Globo: "É uma ocupação de indignação com a situação da UnB. Não podemos achar que corrupção é um processo normal. Vamos ficar aqui até o reitor sair."
O manto de silêncio que desceu sobre o episódio, após uma farta divulgação na mídia, há cerca de dois meses atrás (Ver matéria do blog: Reitor da UnB gasta 470 mil reais no seu apartamento funcional com recursos da Universidade.), levanta maiores suspeitas de corrupção na Universidade de Brasília e na Finatec.
Não dá para ficar calado.

Adoção - boas notícias.

O Observatório da Infância recebe uma grande quantidade de e-mails por dia. Os questionamentos e dúvidas sobre adoção (e também doação de crianças) são freqüentes. O tema é uma prioridade no Observatório.

Recebi da advogada Leila Negrellos, colaboradora especializada do site, a notícia abaixo, divulgada no jornal O Estado de São Paulo, sobre um projeto de lei.

É importante um projeto como esse. Vem ele se juntar a outros projetos que também tramitam no Congresso, como o do Parto Anônimo (Ler artigo a respeito: Parto anônimo: uma necessidade.) e que têm como objetivo a proteção de crianças contra o abandono e os maus-tratos.

Não dá para ficar calado.


Câmara pode votar lei para agilizar adoção de crianças

Ter, 01 Abr, 09h50
A burocracia e também as exigências de alguns futuros pais fazem um processo de adoção durar, em média, cerca de quatro anos. Estima-se que 80 mil crianças e jovens vivem em abrigos no País, cerca de 8 mil, ou 10% deles, estão em condições jurídicas de serem adotados e aguardam pais dispostos a levá-los para casa. Com a pressão da Frente Parlamentar da Adoção, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que tentará pôr em votação em maio o projeto que cria a Lei Nacional de Adoção. Entre outras medidas, a iniciativa dá agilidade ao processo de perda do poder familiar, que retira legalmente crianças da guarda dos pais naturais e é o primeiro passo para a formalização da adoção.
Já o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concluirá a implementação do primeiro cadastro nacional de crianças prontas para adoção e de adultos interessados em adotar. Atualmente, a maioria dos cadastros está restrita aos municípios ou, em poucos casos, a um banco de dados estadual. Entre outras novidades da Lei Nacional de Adoção está a licença-paternidade, de 60 dias, para homens solteiros ou viúvos que adotarem uma criança. O projeto permite ainda adoção de maiores de 18 anos, hoje não prevista em lei. E, no caso da perda do poder familiar, limita o processo a no máximo um ano de duração.
O autor do projeto, deputado João Matos (PMDB-SC), destaca o caráter conceitual da proposta, aprovada em comissão especial e pronta para votação, dependendo apenas da decisão da Mesa Diretora e da liberação da pauta do plenário, tomada por medidas provisórias. "A lei deixa claro que a adoção é um direito inalienável da criança. Antes, era vista apenas como solução para o casal que não podia ter filhos", diz Matos.
Embora os dados oficiais sejam precários, Matos diz que "aos poucos, essa mentalidade de querer bebê, menina, branca de olhos claros está sendo deixada de lado e permite aumentar a quantidade e a qualidade das adoções". Segundo o deputado, que em 1987 adotou um bebê negro, de 10 meses, a média nacional de espera de futuros pais é de 3,7 anos, "mas pode durar muito mais, se houver muitas exigências dos pretendentes à adoção". Cleber, o filho adotivo do deputado, morreu aos 15 anos. "Depois disso, me voltei para o assunto", conta.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.