terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Não sou moleque de recado"

O que crianças pequenas falariam após as visitações para seus pais separados, mas em constante litígio?

- Papai, não sou moleque de recado.
- Mamãe, não sou moleque de recado.

Não dá para ficar calado.

Código de ética do boylover

Tenho sentido por parte de alguns setores da sociedade uma certa dificuldade em aceitar como a pedofilia é frequente, não só nos EUA e outros países, como pensam alguns, mas também no Brasil.

Por outro lado, a imprensa vem noticiando frequentemente casos de abuso sexual no Brasil, praticado por profissionais dos mais diversos setores da sociedade. Foge, no entanto, à percepção da mídia a imensa maioria dos casos de abuso sexual contra crianças porque eles ocorrem entre quatro paredes. A vítima é insegura, sente-se culpada, não costuma ser ouvida e acreditada. Foge também aos olhares não só da imprensa mas da Justiça, a imensa maioria dos casos de pedofilia através da Internet. Apesar dos avanços que vêm ocorrendo por conta de ações internacionais e nacionais para impedir a ação dos pedófilos pelos computadores, a tarefa continua sendo gigantesca. Por incrível que pareça, há pessoas no mundo inteiro que aceitam algum tipo de relação sexual com crianças, com ou sem contato físico, como situações normais. Alguns pedófilos através da Internet conquistam suas vítimas, divulgam suas idéias e procuram unir as pessoas que têm o mesmo interesse, ou seja, pessoas que se interessam sexualmente por crianças.

Reproduzo abaixo alguns títulos de matérias divulgadas por pedófilos alguns anos atrás, em sites que já foram desativados.
"Código de ética do boylover."
"Verdades e mentiras sobre os boylovers."
"Como ganhar um menino."
"O que é um boylover?"


É importante também relembrar textos divulgados no nosso site a respeito de a Internet, pelo seu aspecto democrático, barato, de fácil comunicação, ter se tornado o paraíso dos pedófilos. Entre eles, destacamos "Pornografia com crianças na Internet: uma luz no fim do túnel" e "Pedofilia e abuso sexual. Proteja seus filhos. O que os pais podem fazer para prevenir o abuso sexual e proteger seus filhos". Leia também a entrevista com o Dr. João Coutinho de Moura, publicada em nosso site em 08/02/08, "O olhar do psicanalista sobre a questão do abuso sexual de crianças".

Não dá para ficar calado.

Como escolher a escola do seu filho

"A difícil arte de ser criança", artigo da psicóloga Rosely Sayão, publicado em 03/09/09, no caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo, deveria ser lido por aqueles pais que têm dúvidas sobre a escolha da escola para seus filhos a partir dos 5 ou 6 anos. Ou seja, todos nós.

O assunto já vem sendo tratado no Observatório da Infância. Leiam também:
Crianças de 6 anos devem apenas brincar ou já serem exigidas na escola?
Aprender brincando

Uma conclusão evidente é: como é difícil ser criança e como é difícil sermos pais.

Não dá para ficar calado.


ROSELY SAYÃO

A difícil arte de ser criança


Um colega, professor universitário, disse que não gostaria de ser jovem no mundo de hoje. Penso sempre nisso e concordo com ele. Agora, tenho a mesma maneira de pensar a respeito da criança. Como é difícil ser criança no mundo em que vivemos!
Nos primeiros anos de vida, quando deveria ser livre para brincar, para se relacionar com outras crianças -não necessariamente da mesma idade-, para explorar o mundo com liberdade, sem hora marcada e roteiro preestabelecido, ela precisa bancar uma vida ao modo do adulto e do que ela deverá se tornar no futuro.

Menores de seis anos têm agenda apertada a cumprir, obrigações dos mais variados tipos, preocupações dignas de adultos, escolarização precoce e tudo o mais. Pouco resta de tempo que possa ser usado para a coisa mais importante desse período: brincar sem compromisso. Não há espaço na vida delas para o ócio, veja só.

Depois dos seis anos, mais ou menos, a criança deveria se desenvolver: passar, progressivamente, a se responsabilizar por suas coisas, assumir compromissos, encontrar soluções para situações problemáticas próprias de sua vida, aprender. É o tempo de crescer, que coincide com o início do árduo aprendizado da leitura, da escrita e da aritmética. A vida na escola, que nesse momento representa o mundo para a criança, é, portanto, a situação privilegiada para que ela cresça. E não é que muitos pais têm atrapalhado os filhos em seu crescimento e, portanto, não têm deixado que isso ocorra?

Esses pais têm o que julgam ser um bom motivo: protegê-los de injustiças, sofrimentos, frustrações e problemas. Na verdade, impedem que eles cresçam. Crescer dói e, portanto, certos sofrimentos são inevitáveis.

Há pais que reclamam dos professores de seus filhos, por exemplo. Ora são considerados bravos em demasia, ora injustos em suas atitudes, ora rigorosos ou exigentes além da conta. Acontece que a criança dessa idade precisa aprender a lidar com as incompreensões do mundo, com as pequenas injustiças, com as exigências e cobranças a ela dirigidas, entre outras coisas. Crescer supõe construir mecanismos para fazer frente a essas situações.
Lembro-me de um trecho de um livro de Françoise Dolto -transcrição de um programa de rádio em que respondia a pais aflitos- em que a psicanalista sugeriu que a mãe, cujo filho se recusava a ir para a escola porque a professora era muito brava, dissesse a ele que, se a professora ensinava, não tinha importância se era brava. Esse é um modo de dizer que o filho não pode se recusar a crescer, que esse é seu destino.
Há pais que não querem que filhos dessa idade enfrentem dissabores e arquem com as consequências de seus atos. Permitem que drible os colegas ou a escola quando precisam prestar contas de alguma atitude ou dever. Há os que aceitam desculpas esfarrapadas para os mesmos erros repetidas vezes.
Precisamos ajudar essas crianças a crescer, a seguir em frente. Caso contrário, estaremos plantando um futuro infantilizado em suas vidas.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

Eu não sou dono do mundo, mas tenho culpa porque sou filho do Dono

Ouçam a música e prestem atenção à letra desta canção, Filho do Dono, do compositor goiano Petrúcio Amorim, soberbamente interpretada pela cantora Maria Eugenia.



Filho do Dono
Maria Eugenia


Não sou profeta nem tão pouco visionário
Mas o diário desse mundo tá na cara
Um viajante na boléia do destino
Sou mais um fio da tesoura e da navalha
Levando a vida tiro verso da cartola
Chora viola nesse mundo sem amor
Desigualdade rima com hipocrisia
Não tem verso nem poesia
Que console um cantador
A natureza na fumaça se mistura
Morre a criatura e o planeta sente a dor

O desespero no olhar de uma criança
A humanidade fecha os olhos pra não ver
Televisão de fantasia e violência
Aumenta o crime, cresce a fome do poder

Boi com sede bebe lama
Barriga seca não dá sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa porque sou filho do dono.


Não dá para ficar calado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Por uma infância feliz para crianças e adolescentes

Acompanhando a tendência atual da comunicação de construção de Redes Sociais, o Observatório da Infância (http://www.observatoriodainfancia.com.br/) e o blog Não dá para ficar calado (http://naodaparaficarcalado.blogspot.com/) já aderiram ao:
O objetivo é aumentar as possibilidades de lutarmos por um interesse comum: um desenvolvimento feliz para crianças e adolescentes.

Não dá para ficar calado.

A mitomania é moda no Brasil

Para se aprofundar um pouco no tema, indicamos 2 filmes disponíveis em vídeo.

Um chama-se "A Agenda" (L'Emploi du Temps - 2001). Melhor filme nos festivais de Veneza e de Viena. Um homem extremamente angustiado tenta infantilmente fugir da realidade através da mentira e da simulação durante um sofrido período de sete meses.

Veja também "O adversário" (Adversaire, L' - 2002). Baseado em um caso real de mitomania ocorrido na França. Leia também o livro "O Adversário", de Emmanuel Carrère - Editora Record.

Dos exemplos brasileiros atuais, não preciso fazer referências. Todos os conhecem bem. Faltam o filme e o livro.

Não dá para ficar calado.

Matança de golfinhos em ritual de passagem na Dinamarca

Vocês viram as fotos da matança de dóceis golfinhos na super desenvolvida Dinamarca, país membro da União Européia?

Jovens praticam todos os anos esta barbárie como um ritual de passagem, acompanhados de seus pais. O local é a paradisíaca ilha Faroe.









Não dá para ficar calado.