sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sem comentários

Em O Globo de 10 de janeiro de 2008 - De Sérgio Cabral que viaja com seu vice para a Suíça deixando o governo do Estado do Rio com Jorge Picciani: "É uma honra receber, nessa trasmissão de cargo, não o Presidente da ALERJ, mas o amigo e companheiro da vida inteira, o político Jorge Picciani."

Foto: Rogério Santana/Divulgação


Não dá para ficar calado.

Crianças de 6 anos devem apenas brincar ou já serem exigidas na escola?

Os pais já estão sabendo que houve mudanças no Ensino Fundamental, que passou a ter 9 anos ao invés de 8. Com isso os alunos de 6 anos que freqüentavam o Pré, que desapareceu, entram para o Fundamental e passam a ser muito mais exigidos. O que os pais não decidiram ainda é se isso é bom. A antecipação das exigências e das responsabilidades pelas escolas são criticadas por alguns educadores. Será que uma criança de 6 anos está preparada para essas mudanças? É o brincar, fundamental para o desenvolvimento da criança?

Será que crianças estão deixando de brincar para já aos 6 anos (ou até antes, em algumas escolas) entrarem numa competição desenfreada em provas de seleção para se prepararem para um vestibular longínquo e para a sociedade competitiva ao extremo em que vivemos?

A leitura de dois livros de Winnicott, "A criança e o seu mundo" e "O brincar e a realidade" pode ajudar os pais e os educadores a se decidirem pelo melhor para seus filhos.

Leia também: Aprender brincando, de Rosely Sayão.

Não dá para ficar calado.

Bebê morre ao ser esquecido em carro pelo pai

Bebê morre em carro ao ser esquecido pelo pai. Esta foi a principal manchete dos jornais de Rio e de São Paulo, de 08 de janeiro, noticiando a morte em Porto Alegre (RS) de uma criança de 2 anos que morreu asfixiada, dentro do carro do pai, que esqueceu de deixá-la na creche e foi para o trabalho.
Duas horas após, o pai voltou ao carro, tentou socorrer o filho, mas ele já estava morto.
Sabemos que esse pai foi negligente e que pode responder por homicídio culposo (sem intencionalidade).
Sabemos que morreu uma criança indefesa e a responsabilidade é de quem deveria dela cuidar - o pai.
Mas não posso parar de pensar no sofrimento desse pai e na pena que a ele já foi dada para o resto de sua vida.
Não dá para ficar calado.

Adolescentes passam a ganhar 30 reais por mês

A Folha de São Paulo de 03/01/08 publicou matéria com seguinte título: "Lula dribla legislação eleitoral para ampliar o bolsa-família, através de Medida Provisória."
Há três dias do final do ano de 2007, o presidente concedeu um bônus de 30 reais para adolescentes de 16 e 17 anos. Segundo ele, o objetivo é reduzir a violência nessa faixa etária.
Nunca nesse país um presidente acreditou tanto que somos todos idiotas.
Não dá para ficar calado.

Desonra

O livro "Desonra" foi escrito por J. M. Coetzee em 1999. Coetzee foi prêmio Nobel de Literatura em 2003 e com "Desonra" ganhou o Booker Prize, o prêmio de literatura mais importante da Inglaterra. A revista Bravo, número especial de dezembro de 2007, relacionou "Desonra" entre os 100 livros essenciais da literatura mundial em todos os tempos.

Ambientado na África do Sul, o livro aborda duas situações prioritárias no nosso site: uma de estupro múltiplo e outra de assédio sexual.

O leitor vai também conhecer um pouco da violência e dos conflitos raciais pós-apartheid, no país que sediará a Copa do Mundo de 2010.

Não dá para ficar calado.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Maus-tratos psicológicos contra crianças

Recebemos de Carolina Oliboni Bastos, através de anced@yahoogrupos.com.br o texto abaixo, sobre Cantigas de Roda de Ninar.
Nos habituamos com a sonoridade dessas cantigas e as reproduzimos ao longo dos anos para nossas crianças. A letra passa despercebida.
O texto que aqui reproduzimos ajuda-nos a pensar se não está na hora de mudar.
Não cremos que elas sejam a origem dos problemas brasileiros, como afirmou Carolina Bastos, mas evidentemente estimulam os maus-tratos psicológicos e físicos contra crianças.
Não dá para ficar calado.
"Eu, um Brasileiro morando nos Estados Unidos da América, para ajudar no orçamento, estou fazendo "bico" de babá e estudante. Ao cuidar de uma das meninas de quem eu "teoricamente" tomo conta, uma vez cantei "Boi da cara preta" para ela, antes dela dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu canta r ao colocá-la para dormir. Antes de adotarmos o "boi, boi, boi" como canção de ninar, a canção que cantávamos (em Inglês) dizia algo como:
"Boa noite, linda menina, durma bem. Sonhos doces venham para você, Sonhos doces por toda noite"... (Que lindo, né mesmo!?)
Eis que um dia Mary Helen me pergunta o que as palavras, em português, da música "Boi da cara preta" queriam dizer em Inglês:
"Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta..." (???)
Como eu ia explicar para ela e dizer que, na verdade, a música "boi da cara preta" era uma ameaça, era algo como "dorme logo, caralho, senão o boi vem te comer"? Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina?
Claro que menti para ela, mas comecei a pensar em outras canções infantis, pois não me sentiria bem ameaçando aquela menina com um temível boi toda noite...
Que tal! "nana neném que a cuca vai pegar..."? Caramba!... Outra ameaça!
Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto!
Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro, que fosse positiva e de uma longa reflexão, eu descobri toda a origem dos problemas do Brasil.
O problema do Brasil é que a sua população em geral tem uma auto-estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa. Por que isso acontece? Trauma de infância!!!! Trauma causado pelas canções da infância.!!!!
Vou explicar: nós somos ameaçados, amedrontados e encaramos tragédias desde o berço! Por isso levamos tanta porrada da vida e ficamos quietos.
Exemplificarei minha tese:
"Atirei o pau no gato-to-toMas o gato-to-to não morreu-reu-reuDona Chica-ca-ca admirou-se-se
Do berrô, do berrô que o gato deu Miaaau!"
Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais (pobre gato) e crueldade. Por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa? E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob a alcunha de "D.Chica". Uma vergonha!
”Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré de si.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré de si.”
Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces!! É impossível não lembrar do seu amiguinho rico da infância com um carrinho fabuloso, de controle remoto, e você brincando com seu carrinho de plástico... Fala sério!!!
"Vem cá, Bitu! vem cá, Bitu!
Vem cá, meu bem, vem cá!
Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá! Tenho medo de apanhar.”
Quem foi o adulto sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o pobre Bitú.....
“Marcha soldado, cabeça de papel!
Quem não marchar direito, Vai preso pro quartel.”
De novo, ameaça! Ou obedece ou você vai se fu..... Não é à toa que o brasileiro admite tudo de cabeça baixa....
"A canoa virou, Quem deixou ela virar,Foi por causa da (nome de pessoa), Que não soube remar."
Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar e a condenar um semelhante. Bate nele, mãe!
"Samba-lelê tá doente, Tá com a cabeça quebrada.
Samba-lelê precisava
É de umas boas palmadas.”
A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada e necessita de cuidados médicos. Mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas! Acho que o Samba-lelê deve ser irmão do Bitú......!!
”O anel que tu me deste era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou...”
Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa passagem anos a fio??
"O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido, e a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente, a rosa foi visitar;
O cravo teve um desmaio, a rosa pôs-se a chorar.”
Desgraça, desgraça, desgraça! E ainda incita a violência conjugal (releia a primeira estrofe).
Precisamos lutar contra essas lembranças, meus amigos! Nossos filhos merecem um futuro melhor! Ah!!! você esqueceu desta:
"Passa, passa tres vezes...
a última que ficar tem mulher e filhos que não pode sustentar”.....rsssssssss...(aí começa o desemprego)"

Lei das cobaias coloca pesquisas em risco.

Os principais jornais de ontem, 03/01/08, noticiaram que o veto do prefeito César Maia à Lei 325/2005, da Câmara de Vereadores do Rio, que torna ilegal o uso de animais em práticas experimentais, foi derrubado no dia 26, na Câmara dos Vereadores.
A Folha de São Paulo informou que boa parte da produção científica no Rio será interrompida, caso a lei entre em vigor. O Globo, em manchete, informa: "Derrubado o veto à lei das cobaias". "Prefeito recorrerá para impedir proibição de experiências científicas no Rio".
A falta do que fazer de nossos vereadores é fantástica. O vereador pretende com a sua lei combater os maus-tratos a animais. Ora, pretender proteger animais impedindo que seres humanos se beneficiem de experiências científicas seria apenas ridículo se não fosse tão prejucial à sociedade. Ou será que o vereador considera nossos cientistas sádicos e as pesquisas com cobaias desnecessárias?
Percebe-se que, até agora, reduzidas foram as manifestações de repúdio a essa lei, pela comunidade cientifica.
Não dá para ficar calado.