quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Abandono de recém nascidos

A questão foi abordada em O Globo de domingo último. Na matéria expressei minha opinião a respeito afirmando que o abandono de uma criança em situação de risco nas ruas é um sinal de falha do Estado. Falha por não ter não ter proporcionado um fácil acesso a programas de planejamento familiar e falhas por não divulgar amplamente que as mães que não querem seus filhos recém nascidos não devem largá-los nas ruas mas podem e devem procurar os juizados da infância e da juventude. A todas as mães deveria ser garantido o parto anônimo.

Recebemos no Observatório um grande número de e-mails de mulheres grávida que afirmam que não vão querer seus filho e pedem para alguém garantir a adoção quando o bebê nascer. Por outro lado inúmeros são os e-mails de pessoas que querem adotar crianças e não conseguem. Algo está muito errado.

Leia mais sobre o assunto:
- Doação de bebê
- Adoção é para sempre. Dá para escolher mas não dá para devolver.

Não dá para ficar calado.

Pedofilia aos 10 anos

É bem conhecido o caso de dois meninos ingleses que em 1993 quando tinham 10 anos torturaram, abusaram sexualmente e mataram um garoto de 2 anos. Condenados foram presos até completarem 18 anos. Um deles, Jon Venable, foi novamente condenado por atos de pedofilia.

Pergunta para um psiquiatra: com a idade de 10 anos já seria ele um pedófilo e talvez, se tivesse sido tratado, poderia não continuar sua trajetória de abuso sexual de crianças?

Não dá para ficar calado.

A loucura americana

Finalmente anunciado que os EUA retirarão as suas forças de combate no Iraque em 1 mês. A retirada total está prevista para 2011. Essa guerra americana custou aos EUA US$ 1 trilhão. Você já pensou o que o mundo poderia ter feito com essa importância em beneficio de todos? Lá no Iraque morreram 4.400 soldados americanos, número muito maior que as vítimas do "september eleven" usado como desculpa para a invasão do Iraque.

Quantos civis morreram nessa guerra estúpida? Cerca de 100 mil. E para que e por que? Porque Bush presidente de todos os americanos assim determinou.

Mas os EUA continuam matando (muito) e morrendo (pouco) na guerra perdida do Afeganistão.

E agora foi anunciado que os EUA têm plano pronto para atacar o Irã!

Enquanto isso, lá entre eles mesmos, grupos nazi fascistas armados de metralhadoras patrulham a fronteira do Arizona com o México para caçar narcotraficantes e imigrantes ilegais.

O mais incrível é que apesar disso continuam as filas enormes na porta do consulado americano no Rio de Janeiro de pessoas que querem ir para os EUA.

Não dá para ficar calado.

Questões de e para os professores

Abaixo relaciono alguns questionamentos de professores em palestra que fiz recentemente.

O senhor diz que o professor não faz bullying. Faz sim. Quando eu era criança usava o cabelo comprimido e até hoje me lembro que a professora me chamava publicamente de "Madalena Arrependida".

O professor que presencia bullying em sala de aula e não toma providências está sujeito a ação civil ou penal?

Quem é o agressor? Uma criança com baixa auto estima? O sem limites? Ou o mal amado pelos pais? Ele é o agredido que agride?

Muitas foram as perguntas feitas pelos professores nessa palestra. Essas são apenas algumas selecionadas.

Não dá para ficar calado.

O bullying pegou

Muitos jornalistas têm me dito que o bullying está na moda. Realmente toda a mídia tem demonstrado um enorme interesse pelo tema. Na TV além de entrevistas temos uma campanha do Serginho Groisman no "Altas horas". As rádios têm promovido debates e os jornais publicam artigos. Livros sobre bullying atingiram os primeiros lugares nas listas dos mais vendidos. Eu pessoalmente tenho feito palestras e dado entrevistas.

É necessário que a população seja informada sobre essa situação, que não é nova , mas que ganha reconhecimento hoje em razão dos grandes malefícios que causa , principalmente às vítimas do bullying.

Sinto que há necessidade de um maior esforço por parte das diretorias para prevenir e combater o bullying nas suas escolas.

Parece que hoje estamos vivendo um momento de uma grande campanha da população com o apoio da mídia para que todas as crianças tenham atendido o seu direito de ser feliz na escola.

E isso tudo é muito bom.

Não dá para ficar calado.

Tapinha dói

Excelente o artigo da psicóloga Rosely Sayão publicada com o título acima na Folha de São Paulo de 27 de julho. Não há como defender o uso de castigos físicos em nome de uma boa educação.

No nosso site também publicamos artigo sobre o tema: A palmada pedagógica e a cultura da violência.

Não dá para ficar calado.

Leia abaixo, na íntegra, o artigo de Rosely Sayão.

Tapinha dói

Educar é introduzir a criança ao mundo do convívio civilizado. Bater, portanto, não faz o menor sentido.

MUITAS mães pensam que um tapinha dado no filho, com amor e boa intenção, não dói. Dói sim, e como dói! E não apenas no corpo. Claro, este padece nessa hora, mas a criança fica principalmente magoada com aquele adulto de quem espera proteção, amor e cuidado, e não agressão. Resultado: o vínculo de confiança que deveria haver entre eles pode ser afetado, prejudicado.

Por que ainda se bate em criança? Há quem acredite que o ironicamente chamado "tapa pedagógico" tenha efeito educativo. Não tem, e isso pode ser constatado no próprio convívio com crianças que levam castigos físicos quando cometem alguma transgressão. Crianças de todas as classes sociais, desde bem pequenas, apanham porque não conseguem ainda se controlar e fazem o que os adultos esperam que já saibam que não poderiam ou deveriam fazer. Mas voltam a cometer a mesma falta. E apanham novamente. Precisariam de mais castigo, ou de castigos mais severos? Elas precisam é de adultos que as ajudem e as socorram quando se entregam a seus impulsos e caprichos, isso sim. Acontece que, hoje, os adultos estão tão ocupados consigo mesmos que têm dificuldade em ter esse trabalho com as crianças: esperam que elas acatem as regras de primeira. Esquecemos o que é ser criança.

Sempre é bom lembrar que educar uma criança é socializá-la, ou seja, introduzi-la no mundo do convívio civilizado. Bater em uma criança para ensinar a ela que é preciso saber esperar, mostrar respeito ao outro, relacionar-se com boas maneiras e aceitar alguns impedimentos na vida não faz o menor sentido, portanto. É contraditório. Sabemos muito bem que alguns pais batem em seus filhos simplesmente porque se descontrolam, porque perdem ou percebem que não têm a autoridade moral sobre a criança para educá-la. Mas aí o problema é só do adulto. A criança, o elo mais fraco dessa relação, não deveria ser o alvo desse descontrole.

Isso posto, não há como defender o uso de castigos físicos em nome de uma boa educação. É possível, quando necessário, aplicar sanções à criança ou ao jovem que não são humilhantes ou violentas, tanto sob o aspecto físico quanto moral.

Hoje, a sociedade brasileira discute um projeto de lei contra castigos físicos aplicados em crianças ou adolescentes. Dá para entender o espírito dessa lei, tanto quanto o do Estatuto da Criança e do Adolescente: proteger as gerações mais novas.

A parte difícil nessa história é reconhecer que vivemos num mundo e num país em que precisamos de leis para que os adultos cuidem bem das crianças e dos adolescentes, não é verdade? Tanto que o próprio estatuto já é execrado por muita gente, inclusive e principalmente por pessoas que trabalham com crianças.

É verdade que a infância e a adolescência vivem, na atualidade, envoltas em práticas violentas. Sofrem violência e a praticam também. Por isso, temos um importante compromisso com os mais novos. Mas não temos levado muito a sério essa responsabilidade já que, cada vez mais, procuramos e aceitamos a intervenção do Estado para legislar a vida privada.

Cuidar bem de nossas crianças significa educá-las com autoridade firme e doçura, amar a vida, ter apreço pela liberdade e defender a autonomia. Mas isso tem um custo, é claro, com o qual parece que não queremos arcar.

ROSELY SAYÃO
Psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha) blogdaroselysayao.blog.uol.com.br

Tal pai tal filho

O empresário Roberto Bussanra negociou com os PMs o pagamento de R$ 10.000, para proteger seu filho que atropelou e matou o adolescente Rafael Mascarenhas. O pai será acusado de corrupção ativa e o filho de homicídio.

Pessoalmente diante de uma situação como essa você agiria como o pai do atropelador?

Não dá para ficar calado.