terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Uma raridade: prisão perpétua para um grande criminoso

Foto: Reuters

Ruanda, África. Em 1994, em 100 dias, hutus enfurecidos mataram 800 mil tutsis e hutus moderados. A maioria foi morta a golpes de facões. Foi um dos maiores genocídios da História.

Hoje, em dezembro de 2008, o coronel hutu Bagosora foi condenado à prisão perpétua por tribunal da ONU, por haver organizado e comandado o massacre. As fotos são de 1994 e 1995.




Leia mais sobre o assunto


Indicação de filme: Hotel Ruanda
Um novo genocídio anunciado
Genocídio à vista nos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU
Livro de Immaculée Ilibagiza: Sobrevivi para contar

Não dá para ficar calado.

Da série "Demagogia às custas de crianças"

Foto: André Teixeira / O Globo

Veja mais fotos da série "Demagogia às custas de crianças".

Não dá para ficar calado.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

"O americano de 16 anos é um idiota"

Com o título acima, a revista Isto É de 15/12 publica uma entrevista com Mark Bauerlein, professor americano, autor do livro "The dumbest generation" (A geração mais idiota).

O Observatório da Infância já divulgou com o título "Distrações digitais emburrecem a juventude, afirma especialista." artigo sobre as opiniões de Mark Bauerlein. Ele considera que os jovens gastam muito tempo nas redes sociais da Internet, como o MySpace; ou escrevendo, falando no celular e enviando mensagens de texto. Precisam falar de si mesmos.

O americano de 16 anos só está interessado em outros americanos de 16 anos. Nada mais interessa. Não gosta de ler porque dá trabalho. Não se relaciona com adultos. Sua cultura é limitada a informações rápidas e curtas na tela. "A primeira coisa que fazem quando saem da aula é ligar o celular e ver se receberam alguma mensagem. Basta olhar a cara deles para notar que não estão felizes, parecem apreensivos como que pensando: E se ninguém tiver escrito para mim?".

O fato é que apesar de todos os benefícios da Internet, ela além de servir aos pedófilos com eficácia e aos praticantes do cyberbullying, também está sendo acusada de ser responsável pelo "emburrecimento" da juventude.

O limite do uso da Internet e a busca de outras formas de lazer e o estímulo à leitura compete aos pais.

Não dá para ficar calado.

Eutanásia

O minúsculo Luxemburgo, país espremido entre a Bélgica, a Ruanda e a França, tornou-se o quarto país a legalizar a eutanásia, depois de Holanda, Bélgica e Colômbia.

O direito de decidir sobre a própria morte é um tema polêmico que já sem sendo enfocado no site Observatório da Infância e no blog Não dá para ficar calado. A indicação de filmes sobre eutanásia é das seções mais visitadas no site.

Leia os artigos:
Eutanásia. Hannah, 13 anos: "Quero morrer feliz, calmamente, em casa, entre os que me amam"
O direito a uma morte digna.
Eutanásia e suicídio assistido.

Não dá para ficar calado.

Jornalista, atirando sapatos sobre Bush e ofendendo-o com a palavra "cachorro", resgatou a dignidade do povo iraquiano.


Foto: Karim Kadim / AP
"Viva Sapato! Calçado é erguido em protesto contra a ida e George W. Bush a bairro xiita de Bagdá e em alusão aos sapatos atirados contra ele por um jornalista iraquiano, elogiado em países árabes."(Folha de São Paulo)


Em 6 anos de invasão do Iraque, o presidente George W. Bush comandou do seu gabinete americanos que mataram mais de 90 mil civis iraquianos, que promoveram a tortura (ver filme e ler livro "Procedimento Operacional Padrão"). Soldados americanos que arrasaram um país com a justificativa de democratizá-lo, que conseguiram gastar 576 bilhões de dólares com essa guerra absurda.

Pois depois disso tudo. Faltando poucos dias para o término do mandato, tem Bush o desplante de visitar o país, que destruiu sobre falsos e cínicos argumentos, e aparecer sorridente e otimista para entrevista coletiva com a imprensa. Recebeu o que merecia.

Parabéns ao jornalista, que com o seu ato de atirar seus sapatos sobre Bush, chamando-o de cachorro (palavra de forte significado ofensivo entre os árabes), simbolizou o desprezo do povo iraquiano pelo invasor e pelas tropas de ocupação. O jornalista, hoje considerado um herói, não só em seu país, mas também em países árabes vizinhos, teve a coragem de mostrar ao mundo que os iraquianos sabem bem quem são seus inimigos.

O simbolismo do ato praticado pelo jornalista ultrapassa em muito o próprio ato, considerado por Bush ironicamente como um momento bizarro na sua vida. E ultrapassa em importância até mesmo as palavras que o jornalista gritou para Bush:

"Este é um presente do povo iraquiano, seu beijo de despedida, cachorro! Pelas viúvas, órfãos e assassinados no Iraque."

Não dá para ficar calado.

Dislexia: uma realidade, exagero de diagnóstico ou invenção a serviço do mercado e do controle social?

Matéria publicada em 09/12/08 na Folha de São Paulo com o título "Projeto de Lei reabre debate sobre dislexia", tem merecido várias cartas publicadas no jornal. As opiniões são contraditórias. A última, publicada em 14/12, de uma psicóloga do Serviço de Psicologia Escolar da USP, critica o exagero no diagnóstico de dislexia, inclusive aqueles feitos pela Associação Brasileira de Dislexia, e faz sérias acusações.

O fato é que, antes de ser diagnosticada uma criança como disléxica, deve ser considerado o tempo de cada criança, que é extremamente variável, e as condições do ensino onde a criança estuda. O exagero leva a acusações de mercantilismo por parte de especialistas e sobretudo, pode causar graves danos a crianças e suas famílias.

O assunto é sério e preocupante e merece amplo debate entre especialistas.

Não dá para ficar calado.

Sobre crack: leia e discuta em sala de aula e na família.

No último fim de semana alguns jornais alertaram para o perigo da extensão do uso do crack pelo país. Uma reportagem especial, fruto de um jornalismo investigativo de alta qualidade, merece ser lida e discutida em sala de aula. Foi publicada no Estado de São Paulo de 14/12 e o repórter é Bruno Paes Manso.

O crack é uma forma de cocaína barata, de efeitos rápidos e fugazes. Pelo seu baixo preço tem se tornado popular. O crack é fumado em cachimbos improvisados e atinge rapidamente os pulmões e logo a corrente sanguínea. Os usuários tornam-se rapidamente dependentes. A necessidade da droga os leva a se agrupar em locais já chamados de cracolândia, para obterem a droga. Crianças, adolescentes e mulheres grávidas são vistas nesses locais, lutando em desespero e de uma forma degradante pelo acesso a um pouco da droga.

O tratamento para a dependência do crack é complicado. Os usuários resistem à abordagem médica ou psicológica e não há ou há raros centros ou hospitais especializados. O apoio familiar é fundamental. Mas o uso da droga avança rapidamente, pelo que se tem noticiado por todo o país. Os usuários costumam ser os próprios traficantes. Em São Paulo, a cracolândia está situada na confluência das ruas Helvetia e Guaianases. O ponto também é chamado de "Estação Zumbi" ou "Parque dos Monstros".

O acesso à reportagem do jornal O Estado de São Paulo (Em 20 anos, crack alcançou todo o País )de 14/12/08, pode ser feito através do link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081214/not_imp293568,0.php

É fundamental que pais e educadores leiam e discutam com seus filhos e alunos o teor dessa reportagem.

Não dá para ficar calado.