segunda-feira, 11 de abril de 2011

Filme para ver, rever e discutir em grupo


O filme dinamarquês da diretora Suzane Bier, "Em um mundo melhor" (Haevnen - In a Better World) é imperdível.

Alguns críticos destacaram as situações de bullying muito bem mostradas no filme. Por isso o filme já deveria ser visto. Mas ele vai muito além do registro de cenas. O que deve preocupar a todos nós é como prevenir a violência, que é comum em todos os países e como reagir diante dela. A mensagem é de paz.

Não dá para ficar calado.

Agrotóxicos no leite materno

Passou meio desapercebida a notícia sobre uma pesquisa da Universidade de Mato Grosso, que evidenciou que o leite materno das mulheres da cidade de Lucas do Rio Verde, está contaminado por agrotóxicos. A Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), segundo a imprensa, afirmou desconhecer os detalhes da pesquisa.

O problema é sério por não se saber sobre sua extensão e pelas possíveis consequências: abortos espontâneos, má-formação fetal e câncer. O assunto merece maior repercussão.

Não dá para ficar calado.

Autismo, nem tudo é azul

Este é o título do artigo de Cecília Mello publicado do dia 1 de abril na Folha de São Paulo. A sua leitura é obrigatória para todos nós. Confira abaixo.


Autismo, nem tudo é azul

O encarceramento de um autista é desastroso e talvez seja injusto, levando-se em conta que ele poderá não ter a consciência prévia do que fez.

Matéria recente do jornal americano "The Washington Post" causou impacto, por ser parte das preocupações das famílias de autistas. O júri de Stafford (Virgínia), considerou Reginald, 19, autista, culpado por agredir um policial e recomendou dez anos e meio de prisão. Uma mulher, sentada no plenário -que não era sua mãe-, soluçou.

Ela só chorou quando entrou no carro; havia ido aos julgamentos do dia e, ao ouvir a decisão, fez um paralelo entre o réu e o filho James, 17, também autista. Ele poderia ter feito a mesma coisa, disse, mostrando hematomas em seu corpo causados pelo filho, que, sem controle, entrara em estado de violência.

As causas do autismo -transtornos globais do desenvolvimento, caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e de comunicação e por repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo- continuam a ser objeto de amplo debate. Só os fatores genético e hereditário parecem ser consenso.

Mas o que pouco se debate é o crescente número de crianças autistas, que se tornam adultas e devem viver em sociedade. Há uma taxa de 1/110 para o espectro autista, sendo 1/70 quando avaliado o sexo masculino.
Não há um autismo, mas "transtornos do espectro do autismo", dadas a variedade e a complexidade de comprometimento. Há pessoas com retardo mental e total incapacidade de comunicação, mas há pessoas verbais, inteligentes, com excelente grau de autonomia. E mais de 50% não apresentam restrição global de QI.

Entretanto, o sofrimento é a dificuldade de interação social, pois, a par da insuficiência e até da impossibilidade de comunicação verbal, a comunicação não verbal é sempre prejudicada. Mesmo nos autistas de alto funcionamento e nos que têm síndrome de Asperger (forma mais branda de autismo), a interpretação literal e a redução de entendimento do implícito, da linguagem visual, gestual e corporal, enfim, estão presentes.

Há mais: estereotipias motoras, de fala, rejeição ao contato físico, dificuldade de fixação do olhar, necessidade de rotina, sofrimento em alterá-la e a enorme angústia de ter a consciência de ser diferente. Por fim, mas não tudo, a autoagressão.

Diagnóstico precoce, acompanhamento médico, terapias cognitivas e corporais, com inclusão escolar e estímulo das habilidades, podem assegurar grandes melhoras, proporcionando até autonomia e integração social plenas.
Uma busca nas decisões criminais dos nossos tribunais pouco revelou. Estarão os autistas recebendo o justo julgamento pela "inadequação" de comportamento? Estarão sendo diagnosticados? As medidas de segurança estarão adequadas? E a execução? Qual o desfecho dessa história?

O encarceramento de um autista é desastroso. Pior, talvez seja injusto, considerando que ele poderá não ter a consciência prévia e lógica do resultado do ato que praticou. O soluço daquela mãe é a síntese: o sentimento de distância entre os aspectos reais de doença psíquica de alta incidência e larga variação e o despreparo da sociedade para lidar com o ajuste entre diferentes segmentos da população. O choro era de medo: pelo despreparo da sociedade para agir e reagir.

Por comodidade ou desconhecimento, a decisão isolou um autista do segmento definido como sadio para juntá-lo a outro, o dos delinquentes, que tiveram a intenção ou assumiram o risco de cometer crimes cuja significação conheciam.
Quantos autistas serão injustiçados para que a sociedade se sinta mais segura, antes de constatar que a correção pode ser questão médica, de educação e inclusão social?

Amanhã, no Dia Mundial do Autismo, cidades estarão iluminadas de azul, cor símbolo do autismo. Mas nem tudo é azul.

Cecília Mello é juíza federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, mãe de um Asperger de 19 anos, estudante de direito, é associada-fundadora da ONG Autismo & Realidade.

Depressão pós-parto

Matéria publicada em A Folha de São Paulo de 9 de abril destaca, com base em artigo publicado na conceituada revista norte americana "Pediatrics", que o risco de depressão pós-parto é maior para mães de gêmeos.

É importante destacar que a depressão pós parto é uma doença que leva a mãe a um grande sofrimento. A doença deve ser tratada com medicamentos que impõem a suspensão do aleitamento materno.

A respeito, a reportagem reproduziu uma frase exemplar : "é melhor dar a mamadeira sorrindo do que o peito chorando". Recentemente, uma cliente no consultório em situação similar me perguntou: "Mas o que acontecerá com minha filha se eu suspender meu leite?" Respondi: "Nada. Ela será feliz da mesma maneira."

Não dá para ficar calado.

Tragédia atômica e os "hibakusha"

A atual tragédia que se abateu sobre o Japão já teve precedentes. A destruição de duas cidades japonesas, Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e Nagasaki em 9 de agosto de 1945, pelos norte-americanos e as consequências da irradiação sobre os sobreviventes é bem descrita no livro "O último trem de Hiroshima" de Charles Pellegrino (Leya). Morreram 150 mil japoneses no que foi chamado de "Jigoku" (inferno). Os sobreviventes das bombas de radium e plutônio que assistiram ao "Pikadon"(pika-clarão e don-explosão), passaram a ser discriminados por estarem contaminados pelas irradiações. Eram os "Hibakusha".

Hoje a imprensa voltou a falar nesses possíveis contaminados, não vítimas de uma dos grandes horrores da Segunda Guerra Mundial, mas de fenômenos da natureza. Não deixem de ler o livro citado acima.

Não dá para ficar calado.

Nova pesquisa sobre bullying

O Jornal de Pediatria, órgão oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), publicou no número 1/2011 importante artigo sobre bullying com o título "Prevalência e características de escolares vítimas de bullying".

O estudo foi realizado com 1075 estudantes de Pelotas(RS). Foi utilizado o questionário da instituição inglesa Kidscape. O trabalho evidencia o aspecto universal do bullying.

Confira o resultado do estudo em http://www.jped.com.br/conteudo/port_resumo.asp?varArtigo=2131&cod=2

A autora, Dra. Luciana de Ávila Quevedo divulga seu e-mail para correspondência: lu.quevedo@bol.com.br

Não dá para ficar calado.

Livro infantil recomendado

O Observatório da Infância recebeu da Geração Editorial o livro infantil "Segredo segredíssimo", de autoria de Odívia Barros com ilustrações de Thais Linhares. Trata ele de forma simples e objetiva da necessidade de a criança vítima de abuso sexual intra- familiar, contar sobre o que está acontecendo com ela. Recomendo para crianças, pais e educadores. Não dá para ficar calado.